22.10.08

1h51 a.m.

E as vezes eu não sei pra onde vai o sono, não sei por que algumas lembranças insistem em passar como um filme antigo, sem cores e sem som. Sabe, como se parte delas não fizesse mais sentido; outras, confortam e acalmam. "Tudo tem seu tempo". Qual é o tempo? É um ano, dois anos, um mês, dois meses, onze meses, dezoito anos? Alguém avisa o responsável pelo tempo que, sim, as pessoas cansam de esperar. Cansam de esperar respostas, mudanças, atitudes, comentários, cansam de esperar coisas simples e coisas nem tão simples assim, cansam. Cansam de fazer e não obter retorno, cansam de demonstrar em vão, cansam de ser ignoradas, cansam. E eu cansei, cansei mas não desisti, não abri mão e não pretendo tão cedo.
Se eu pudesse voltar atrás, acho que eu não faria quase nada diferente do que eu fiz, excessões é claro.. Mas não me arrependo do caminho que eu optei. Me lembro muito, como se fosse ontem ou hoje pela manhã, do dia que eu consegui convencer a minha mãe de fazer vestibular em Porto Alegre, do dia que eu resolvi ir pra Portugal, do dia que eu cheguei em Portugal, do dia que eu cheguei no Brasil... Me lembro das conversas, dos desabafos, me lembro da gente 'cantando' letras de pagode no msn, assim como também me lembro da gente se encontrando em Debuts e em lugares inesperados. Me lembro do dia da minha formatura, do dia que eu chorei de alívio por saber que eu tinha passado de ano, do dia que a Marina me disse que a nossa amizade era pra sempre, do dia que a Marina me deu o porta-retrato com a nossa foto, do dia que ela ficou feliz por saber que eu tinha finalmente deixado aquele amor doentio pra trás. Me lembro do dia que eu fui na asfinter, que eu quase encontrei o Edu e que depois a Marina mandou mensagem pra ele pensando que fosse o Edu dela "te quiero", me lembro perfeitamente da cabeçada que eu dei em um guri e do tombo que eu caí em plena lama quando eu decidi escapar de algum desses aí que saem agarrando. Me lembro de quando eu chorei no palco por sentir falta do meu melhor amigo ali, me lembro quando eu chorei por descer do palco e me dar conta que tinha terminado, me lembro de quando fui fazer a inscrição na ESPM, me lembro de mandar mensagem e do Edu não conseguindo se liberar porque tava correndo com um trabalho desses que tiram a paciência nos finais do semestre. Me lembro do dia que eu conheci o Pedro Bertoletti, me lembro que foi a primeira aparição minha em festa depois de 1 ano evitando lugares por medo, foi no mesmo dia que eu revi a Isa depois de um bom tempo afastadas. Me lembro do reveillon na Praia do Rosa, me lembro da casa que nós alugamos, me lembro de ficar presa na janela por uns 10 minutos até conseguir pular pra dentro de um quarto com duas pessoas dormindo, me lembro do verão de 2007, me lembro do verão de 2008. Me lembro de Atlântida Sul, me lembro do Cozumel, me lembro de estar em pleno carnaval de rua e dar de cara com o Pedro... Depois com o Eduardo, ali, no lugar onde nenhum dos dois imaginava que o outro estaria. Me lembro das minhas crises de choro de saudade, me lembro dos meus desabafos, me lembro do meu medo que as coisas mudassem repentinamente, me lembro que foi em Novembro. I remember little things, you hardly ever do. Lembro de dias, horários, músicas, situações, momentos, diálogos, olhares, gestos, cenários, sensações, lembro. Lembro e não tem nada que apague isso de mim. Se é bom, se é ruim, não sei... Só sei que faz com que eu me sinta viva.

Se eu pudesse pedir duas coisas agora, nesse exato momento, seria o meu pai aqui, deitado na cama do lado segurando a minha mão como ele fazia quando eu era pequena, e o um abraço do Eduardo. Abraço tipo aquele da Quinta-feira depois que ele chegou do Hawaii.


Engraçado é que tudo que eu escrevi aqui não chega nem em 1% do que passou pela minha cabeça desde que eu deitei e coloquei o note no colo. Não sei por que isso, não sei. I'll always love you, no matter what you do. Sabe, dois anos e um ano. Eu fico impressionada com a minha intensidade em viver as coisas, francamente..

2h12 a.m.

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