7.12.08

fora de ordem

Eu preciso aprender a ser menos intensa, preciso aprender a entender que assim como as estações vêm e vão, algumas pessoas também. Preciso aceitar que na frente dos outros algumas pessoas mudam, agem diferente, e compreender que a teoria que diz sobre a essência não mudar não se aplica a todos. Embora isso tudo seja difícil e pareça impossível, tendo em vista que já tentei inumeras outras vezes, é uma necessidade - é uma escolha, viver no passado ou aceitar o presente e seguir em frente. Eu ainda vivo no passado, querendo ou não.
Quando tocam músicas que tem algum significado, alguma letra que se aplique a mim ou ao que eu sinto em relação a algo. Quando eu vejo alguém parecido, quando eu observo cenários e situações, quando eu percebo coisas que eu tenho certeza que só eu to percebendo. Quando eu me sinto com a cabeça longe e o corpo pesado. Nessas horas eu percebo que eu sou uma criança por dentro. Criança fechada a ponto de não conseguir falar o que incomoda, criança insegura por ter medo de falar as coisas e não ser entendida, criança saudosa por sentir vontade de dar abraços intermináveis em quem já foi importante, criança chorona por chorar mesmo que pra dentro, criança metida a gente grande.
EU NÃO AGUENTO MAIS.
Eu não aguento mais o pedro sendo um na frente dos outros, outro quando tá sozinho, não aguento mais essa merda dessa saudade e vontade absurda de trazer de volta todos os dias antes das férias de Julho. Eu não aguento mais o meu pai longe de mim, eu não aguento mais sentir saudade e vontade de estar perto, de ouvir a voz nem que seja me chamando de inutil que não sai de dentro do quarto. Eu não aguento mais a saudade da época do colégio, quando eu via a Marina diariamente e não precisava falar NADA, porque ela sempre sabia o meu humor e o que me falar ou fazer. Eu não aguento mais sentir saudade de coisas que eu sei que não voltam, de momentos e pessoas que só eu sei o quanto significaram.
Eu quero a minha amizade com o Pedro denovo, eu quero o Eduardo diariamente denovo, eu quero o meu pai presente em todos os segundos do meu dia, eu quero a Francine fazendo trabalhos comigo e sendo minha companheira dentro e fora da faculdade, eu quero a Isa todos os meus finais de semana, quero o Pedro me visitando e me fazendo companhia com conversas sérias no meio de palhaçadas, eu quero o Edu chegando de madrugada na minha casa pra.. comer pães de queijo? Eu quero ir nas festas com todo mundo junto, eu quero a época que as festas eram com a Gang do Ladorucki (pedro bertoletti, pedro mello, barça, direito, pastel, peixoto) e que todos eram o que eram dentro e fora de festas, na frente ou nas costas uns dos outros. Época que quando batia o tédio, ninguém ia pra festa mesmo assim e ficava com cara de ajôjo, pelo contrário, a festa passava do Beco pra minha casa - e as manhãs eram com todos espatifados pela sala, ao invés de cada um indo embora pra um lado em diferentes horários durante a noite. Eu quero de volta os meus dias de verão, meus dias de início da faculdade - só não quero de volta os meus dias de métodos quantitativos -, meus amigos de colégio, meus amigos que talvez não tenham sido realmente amigos... Mas tavam comigo, semestre passado. Eu quero os dias do quadrado, quero morrer sufocada em baixo de um edredon. Eu quero de volta o edu voltando comigo e não no meio de um monte de gente lixo interesseira, eu quero as pessoas percebendo que o cenário imbecil que elas se meteram não vai adiantar merda nenhuma e vai terminar cedo ou tarde. Quero reciprocidade, quero ouvir de volta as coisas que eu falo e não me sentir tão ridícula por ficar me prestando a dar apoio aos que me dão as costas, quero o mínimo de consideração e demonstração possível - porque eu realmente acho que, em alguns casos, é o mínimo que eu mereço. Quero as pessoas me valorizando como poucas souberam fazer até hoje, quero pessoas sinceras não só na minha volta mas também na volta dos outros - porque eu to cansada, MUITO cansada, de pessoas sendo influenciadas. Convite pra teatro, voltas pelas ruas, ida ao teatro que alagou e não deu pra ver a peça, ida ao Donna Fashion, ida ao shopping pra fazer nada... Sei lá, eu quero de volta muita coisa que passou e que eu acho que só eu lembro e tenho vontade de trazer de volta.

É uma merda saber que as pessoas são superficiais, passageiras, falsas, cínicas, hipócritas, interesseiras. É uma merda saber que eu idealizo cerca de 80% da personalidade das pessoas que me cercam, me iludindo e pensando que elas são o que - depois de um tempo - elas me provam com atitudes que não são. E não são por opção, e eu idealizo por opção, e é tudo questão de opções.

E é assim, engolindo tudo isso e não falando isso tudo pra alguém, que eu me passo por forte pros outros. Até que chega um ponto em que eu atinjo meu máximo, explodo - explodo pra dentro, não mostro e nem faço questão que percebam. Mas dói e incomoda, só serve pra justificar meia dúzia de lágrimas que caem no quarto sozinha ou sentada em um sofá, no meio de uma festa isolada das pessoas pra ninguém ver minha cara de quem não tá bem.

Se alguém souber onde me inscrevo pra concorrer a prêmio de melhor atriz, entre em contato.


EU QUERO SUMIR, SUMIR, SUMIR, SUMIR.
ou que quem mora longe, morasse perto.. mas acho que seria querer demais

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