10.1.09

ou não.

você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge uma vez ou outra pelo quarto-, quem sabe não seremos felizes? entre a concretude do beijo de cinco minutos atras e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida. ou duas.
talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato.
passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas-mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário. talvez céus nublados e pancadas esparsas- que pra quem não sabe são pequenas composições líricas- nos esperem mais adiante.
silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. depois faremos as pazes.
ou não?

tudo que sabemos agora é que eu te quero. você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a estranha certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.

(ou não.)

Fernanda Young, acho.

Nenhum comentário: