"... uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, espararei quanto tempo for preciso."
(C. Lispector)
São as coisas que você não diz que me matam de medo, vagando entre a terra e o céu. Disfarçadas de segredo. Seu rosto não tem marcas, sua (ou nossa) história não tem meio nem fim. As fotos que eu tirei só revelaram a mim... Eu devo gostar de perder meu tempo com você. Ouça meu silêncio gritando "agora é tarde demais". Eu sonho toda noite com a falta que você não faz.. Não use roupas quentes, não me apresente seus pais.
Eu devia ter ficado em casa e me deixado em paz.
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