Sou anos 60 até os anos 90, sou a correria do mundo atual e a tranquilidade dos lugares isolados. Sou música baixa antes de dormir, sou música alta na hora de dançar. Sou dias de sol e chimarrão, sou tempestades e céu escuro, sou estabel mas nem sempre estável. Sou fotografias, sou caminhadas, sou sono e chá. Sou café, sou suco de laranja e lá no fundo sou também refrigerante. Gosto de olhares, de abraços, de sinceridade e prezo a reciprocidade. Não gosto de me descrever, não gosto de encaixar em palavras o que é mais nítido a olho nu, não gosto de descrições. Sou conversa pra passar o tempo, sou silêncio quando algo prende minha atenção, sou brincalhona e por vezes insuportavelmente antipatica.
Tenho um lado piano, outro lado violão, e gosto muito de uma boa piña colada. Absinto me cai bem, mas jamais abro mão da tequila com sal e limão. Sou formiga, sou brasileira com o coração português. Não sei virar amiga em alguns minutos de conversa, em alguns poucos dias de convivência, eu preciso de tempo. Eu preciso conhecer, eu preciso que me atraia. Sou amiga de muitos, porém poucos são os meus amigos. Um dia eu vou morrer e, junto comigo, morrerão segredos de pessoas que hoje em dia nem vejo mais. Assim como morrerão segredos de quem hoje confia algo em mim. Porém, não confio plenamente com muita facilidade.
Sou um caos completo e, ainda assim, sou tranquila na minha loucura. Sou aquela que se afasta mas não esquece, sou aquela da boa memória pra tudo que me marcou de alguma forma, seja boa seja ruim. Sou aquela da memória seletiva, sou aquela impulsiva e racional, emotiva quando convém. Sou caramujo que se esconde quando se sente ameaçada, sou a coragem de se desafiar e acreditar que certas coisas são possíveis. Já fui punk, hippie, reggae, sou aquela das múltiplas fases e única face. Sou a mudança que não perde a essência, sou sonhos com os pés no chão, sou aquela que corteja a insanidade e respeita pra ser respeitada. Sou apego, sou paixão, sou amor, sou tesão, sou loucura, sou tranquilidade, sou paz, sou harmonia, sou instabilidade, sou impulsos, sou reflexão, sou orgulho e sou flexibilidade. Sou um pouco do que fui ontem, sou um pouco daquilo que serei amanhã. Sou sempre eu mesma, mesmo que não vá ser a mesma para sempre. Sou coisas ruins, sou coisas boas, e se você não souber lidar com o meu pior... Jamais conhecerá o meu melhor.
Essa sou eu, no meu ponto de vista.
Agora no seu... Aí são outros quinhentos.
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