7.6.11

Mãe, tô em crise.

Quem nunca se pegou pedindo colo pra alguém por estar em crise? Por não saber por onde começar ou como terminar? Quem nunca teve medo de respirar fundo e pular? Quem nunca se pegou em crise, quem nunca teve medo, não viveu. Não cresceu, não evoluiu.


Crise é algo que assusta, soa como algo pesado, difícil e - muitas vezes - ruim. Mas é na crise que nós crescemos, nos desacomodamos, resignificamos muitas coisas e voltamos o olhar ao que antes passava despercebido, como plano de fundo, como figurante. É na crise que percebemos a nossa real força pra levantar e seguir firme com o próprio corpo, com os recursos pessoais. Quando nos sentimos perdidos, sem nada em volta, quando sentimos que não estamos mais identificando o que nos cerca... Quando fechamos os olhos e nos vemos em um deserto, só temos uma única coisa pra olhar além do chão e do céu: nós mesmos.


No deserto não tem espelho, nos resta olhar pra dentro. É nesse momento em que descobrimos nosso real tamanho, nesse momento nos identificamos enquanto seres humanos e não apenas João, Maria, José, Adão. As crises nos proporcionam insights que dependem da nossa força de vontade em alcançar o autoconhecimento, as crises abrem o apetite pra autopesquisa. Não veja crises como algo que põe pra baixo, veja crises como ondas. Ondas que se formam aos poucos, vão aumentando conforme as águas que encontram no caminho e a pressão que vem não-sei-de-onde. A onda se forma, aumenta, cria força e vem. Vem e varre as sujeiras da areia, vem e molha os pés dos que estão com calor, faz com que alguns sintam o gosto da liberdade enquanto outros temem sua correnteza. E, ao fim de tudo, a onda se desfaz e deixa suas marcas na areia... Até que outra onda desfaça as marcas e deixe as suas, e assim por diante.


Não é mais fácil pensar assim?


Crise não quer dizer tristeza, angústia. A realização, a felicidade, deve ser buscada independente de ter onda em formação ou não. A felicidade depende da sorte, sim, mas também das escolhas bem feitas. Como diria a Martha Medeiros:


"Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas. 

Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa."



Somos a soma das nossas decisões, o reflexo das nossas ações, o combustível pros sonhos se manterem acesos, entre tantas outras coisas que somos e sequer desconfiamos ser...


Vou ali olhar pra dentro de mim, volto qualquer hora dessas. 
Au revoir a tout le monde,


Lú.

Nenhum comentário: