era evidente que as marcas daquela que outrora esteve ali, cedo ou tarde, iriam se manifestar. o último romântico deixa de existir, de fato não precisava, ele permitiu que as marcas viessem ao primeiro plano e se deixou levar ao plano de fundo. os sonhos, os planos, a ideia de que existe a possibilidade de duas pessoas serem felizes - tudo arquivado. tudo ficou pra depois, se o depois vier.
o olhar não expressa felicidade, tristeza? também não. o olhar não expressa. o olhar é vazio. as palavras não possuem fundamentos sólidos a ponto de se tornarem convincentes. o abraço, ah o abraço... esse segue cheio. cheio de sentimentos, de sonhos, de vontades, de esperança. o abraço, o silêncio, entrega que tudo é uma questão de coragem. a chance está ali, mas o olhar é vazio demais pra enxergar, o medo lhe deixou imóvel e sequer consegue se movimentar em direção à chance pra alcança-la. a chance é abstrata, ninguém a vê porém sabe-se que ali está.
hoje os tempos voam, o que agora está aqui... amanhã pode estar lá. ou nem estar em lugar algum. pensar no amanhã é algo racional demais para alguém que, como eu, quer se desapegar do mundo onde tudo é racional. eu prefiro me jogar nas emoções, viver o agora, desejar tudo que puder - mesmo que não vá ter boa parte. opto por sentir o gosto dos sentimentos mais puros, aqueles que todos deixaram de lado pois não é possível ser promovido na empresa quando se pensa em algo que não é trabalho. opto por sentir o frio na barriga de me arriscar, pra mim esse nervoso vale mais do que o da hora do rush. opto por viver, ao invés de deixar que a vida me leve. opto por amar, mesmo que não vá ser amada. pois eu estou sentindo o gosto daquele sentimento e, pra mim, isso basta. o que o outro quer, isso é problema dele. opto por sonhar, por ir atrás dos meus sonhos e por acreditar - sim - que existe um espaço pra nós dois em algum lugar desse mundo caótico.
não acredito em finais felizes, quem é feliz realmente não deixa o final chegar. não quero viver um conto de fadas, passo longe de ser uma princesa e tampouco você se parece com um príncipe. príncipes são corajosos, enfrentam dragões - e você aí sequer enfrenta a si mesmo.
mas eu acredito, sim, em romance. em amantes. em sentimentos puros, na felicidade sem precisar de rótulos e na dupla evolução. eu evoluindo, você evoluindo. e acho uma fraqueza, minha e sua, recusar ver o final da história. se você gosta de ser fraco, se assume ser, espero que seja feliz assim. mas eu não me permito ser fraca, não me permito falhar, não deixo escapar das minhas mãos a chance de ser feliz. nem que eu a segure e ali na frente solte, mas eu seguro. eu chego nela. e é isso que eu vou fazer. lutar pela minha felicidade.
não, ela não é você. somos nós dois. o que eu sou contigo, o que você é comigo, e o que podemos ser juntos. isso sim, confesso, faz parte do necessário pra minha felicidade. hoje. amanhã não sei...
Nenhum comentário:
Postar um comentário