E eu queria entender o turbilhão de sentimentos que passam aqui dentro. Aí dentro. Na nossa volta, no nosso interior. Queria ser capaz de extinguir boa parte dos teus medos, dos meus receios, queria conseguir te puxar junto comigo pra pular esse abismo e ver se é tão dura a queda. Não adianta eu me arriscar sozinha, quando eu estiver lá embaixo você não vai me escutar aí de cima. Entre outras metáforas que eu poderia usar...
Queria conseguir entender a razão pra esse silêncio que toma conta de tudo, sendo que aqui dentro existe uma ansiedade imensa em saber teu dia, teu final de semana, teus planos. Mas na hora do cara-a-cara, o silencio toma conta de uma forma absurda. Queria conseguir entender como nós conseguimos nos distanciar tanto, como eu consigo me sentir longe mesmo que deitada no teu peito. Queria conseguir entender inumeras coisas, mas não consigo. E essa incapacidade me angustia, me machuca, me incomoda...
E o pior, você não imagina sequer 1% do que eu escrevi aqui. Quiçá tudo que eu poderia ter escrito.
Agora te ouço dormindo aqui do lado, e esse som machuca. Antes era gostoso, agora incomoda. E eu não sei até onde eu vou conseguir seguir caminhada, é tipo querer concluir uma maratona com um dos pés quebrado e alguém te sabotando a cada segundo... Ruim demais. E parece impossível. E a minha cabeça começa a girar denovo...
Chega, eu não mereço esse desprezo - sendo bem radical - e muito menos essa indiferença. Não eu. Que luto por nós dois mais do que por mim - mesmo sabendo que é errado e que não há razão em reclamar, foi uma escolha.
Deixar pra trás quem a gente gosta, dói. Mas só os corajosos conseguem.
E assim eu pretendo ser: corajosa.
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