5.2.11

Você diz que

não está pensando em encontrar alguém, que agora quer um tempo pra cabeça e pro coração que não bate como antes. Você diz que não quer perder seu espaço, que cansou de tentativas, que amar é relativo e que paixão... Ah, 'se apaixonar é se iludir'. É só você e pronto, isso basta. Sua bolha, seu espaço, seu mundo e só seu.
Enquanto isso, no céu, um paraquedista. De repente, puf! Fura a lona e ele cai onde? No seu mundo, é claro. Que ironia, logo você que não queria saber de visitas. E o pior: visita de um desconhecido. Sua mãe sempre lhe disse que não se deve conversar com estranhos... Ela diz ser perigoso. E é. Mas, assim como ela é super protetora, você é super teimosa. E vai até o estranho questionar se pode ajudar em algo, se ele quer ajuda com a lona e se ele sabe o caminho de volta. Você fala baixo, um pouco insegura, não consegue nem olhar nos olhos pois está cuidando o que acontece ao redor. Nunca se sabe quando outros estranhos podem aparecer e fazer algo com você, né? Sistema nervoso a milhão vigiando. De repente congela de medo. Outros estranhos? Não, um olhar do único ali presente.
E esse olhar assusta. Paralisa. A voz faz com que você sinta um arrepio, o olhar faz com que você se sinta nua, e o sorriso encanta. Não é a voz mais linda, não chega aos pés da voz do seu ator ou cantor favorito, os olhos não são claros como aqueles que você sonhava aos treze anos enquanto via o Colírio da revista Capricho, e o sorriso... Bem, o sorriso é apenas um sorriso. Correto? Corretíssimo. Mas a voz lhe transmite sinceridade e segurança, os olhos escuros fazem com que você tenha vontade de acender uma luzinha e enxergar o que há por trás do castanho (que, as vezes, até parece um pouco claro) e o sorriso abre covinhas que você tem vontade de morder. Morder muito. E então você esquece aquela lista de 'pré-requisitos' pra ser o homem da sua vida, lembra? Aquela que você escreveu depois da sua primeira decepção amorosa.
Esse mix de sensações faz você virar uma interrogação em pessoa e não entender mais nada. Como sentir e pensar em tudo isso sendo que você não queria isso? Ora bolas, você nem pediu! Não estava reclamando de nada... Pelo contrário, estava ótimo ficar quietinha no seu mundo. Mais atrevido que o estranho invadindo sua bolha, só mesmo o destino pra lhe armar essa.
O estranho pergunta se está tudo bem, seu silêncio assusta. É nessa hora que você pensa que já está ali parada há horas e que ele está pensando que você tem sérios problemas. Então você olha no relógio, passaram cinco minutos que pareceram cinco horas. Que alívio, você não ficou parada horas imóvel e muda na frente de um estranho. Mas a parte de você ter problemas... Bem, você não os tinha até ele chegar. E a vontade é de responder o 'tudo bem' com um 'olha, estava tudo ótimo até a porcaria da sua lona furar e você cair exatamente onde não deveria ter caído', porém você sabe que no fundo está achando ótimo a lona ter furado e, se você pudesse, até sairia saltitando por ele ter caido no seu mundo e não no da vizinha. Percebeu a diferença do início do texto até essa parte? Pois é, mudaram as vontades, mudaram os pensamentos. Em suma, mudou seu mundo.

Pode ser que o texto termine aqui, pode ser que não. Por enquanto a história vai até aí. Se for além, capítulos seguintes virão. Se não for, fica o registro do resultado desse tornado, vulcão, abalo sismico. reviravolta, ou como você quiser, preferir, entender.

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