21.3.11

Defina "certeza".

É uma visão ingênua acreditar na certeza absoluta. É uma visão restrita, limitada, imutável, ou como preferir chamar... Se quiser chamar de algo, é claro.

Estudamos na escola, lá no início quando aprendemos a diferenciar os animais, que o ser humano vem do macaco. Evoluiu ao longo dos anos, etc. Se a gente quiser, pode inclusive falar que antes de surgir qualquer coisa no mundo (literalmente) era tudo poeira. Particulas soltas, independentes, não sei. Podemos viajar legal a respeito do início de tudo, e muitos viajam. Mas o fato é que nada 'sempre foi assim e assim será pra sempre'. Tudo foi se construindo e se modificando, vivemos em constantes processos. É processo de evolução, processo de aprendizagem, processo de reciclagem, processo disso, processo daquilo. E assim vamos nos modificando. A certeza? A certeza é de que hoje somos o que somos, amanhã seremos o João, a Maria, o Jorge, o Pedro, de amanhã.

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Daí teve a segunda parte da aula.

Aí tem aqueles que falam sobre a ciência que comprova isso, comprova aquilo. Tudo bem, a ciência comprova mesmo. A ciência, as pesquisas, os longos estudos, as investigações sobre passado, presente e até os palpites sobre o futuro. Tudo isso existe, sim. Porém, o que nem todos lembram é de que até a ciência possui data de validade. "Comprovado cientificamente que bla bla bla", cinco anos (ou menos) depois já encontramos em alguma Super Interessante "Novos estudos comprovam cientificamente que bla bla bla na verdade é bi bi bi". E lá se vai a certeza antiga, deixando espaço pra certeza atual.

Mas tem o outro lado também.

Há quem permaneça estacionado em um único paradigma, em uma única visão de mundo, em uma única linha de pensamento, em uma entre tantas fases dessa vida louca (e breve, como diria meu amigo Cazuza). Sobre estes, digo apenas uma coisa: neuróticos. O termo assusta? É pra assustar mesmo, é pra fazer pensar. Quantas pessoas se abrem pra alterar comportamentos, quantas pessoas vivem em estado de processos e quantas vivem estruturadas? Ou melhor, como você vive? Processo ou estrutura? É um convite pra você parar agora e pensar.
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Aí você para, pensa, reflete e chega em alguma conclusão. Ou não. Mas no meu caso foi assim. A grande droga foi que eu parei pra pensar nos outros também, em como eles agem, bla bla bla. E quando eu voltei a prestar atenção na aula, pá! O assunto era outro. Já troquei meu raciocínio. Falavam sobre relacionamentos.

Quantas pessoas encaram de frente, mesmo com medo, a relação Pessoa - Pessoa? A relação mais produtiva é aquela onde um sabe respeitar as limitações, os defeitos do outro e de quebra admirar suas qualidades independente de estas fazerem parte da maioria ou minoria... A relação Pessoa - Pessoa, ao meu ver, é a relação onde acontece a dupla evolução. Ambos ensinam, ambos aprendem, ambos se doam, ambos absorvem, ocorre uma evolução mútua e como consequência acaba surgindo algo novo criado pelas partes. Essa relação pode acontecer entre duas pessoas, entre três, entre quatro, whatever. No entanto, poucas pessoas sabem lidar com esse tipo de relação, visto que a grande maioria da população sente um prazer imensurável em manipular/modificar os outros. Mas mudar algo em si? Vish, daí já é pedir demais. Mudar por quê? Bienvenidos ao mundo onde a relação ainda é algo pré-histórico, onde - apesar de tantas coisas saborosas pra se comer e beber - ainda há quem prefira sentir o gosto de ser superior. Onde ainda há quem se limite ao simples, prático e objetivo.
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Depois disso, eu fiz um minuto de silêncio. Olhei pra dentro dessa cabeça que pensa em N coisas... E ai sim meus neurônios ficaram praticamente o papaléguas de um lado pro outro do meu cérebro. Relacionei tudo que foi discutido em aula com a minha vida pessoal, foi inevitável, mas essa parte eu prefiro não expor aqui. Mas a relação que eu fiz de tudo isso com o que eu vejo na sala de aula, nos ambientes de estágio (desde hospício, clínica, até empresa) foi "sinistra". Parei e identifiquei coisas que me deixaram bem inquieta (inclusive lembrei das aulas sobre alteridade em psicologia social II no 3º semestre).
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Sobre a relação.

Não quero que tudo seja explicado, não me iludo que um dia vou conseguir entender quase tudo... Quem dirá entender tudo. Não é todo mundo que sabe ter uma relação Pessoa - Pessoa, não é todo mundo que se arrisca a ser processo, bla bla bla. Mas espero, de coração, que muitos terminem a faculdade e pelo menos saiam por ai exercendo a profissão como ela deve ser... Se estamos ali pra tratar pessoas, vamos nos relacionar com estas pessoas. Vamos ser facilitadores, não manipuladores. Vamos ter a humildade de olhar pra nós mesmos, nos conhecermos a cada dia mais - sem a pretensão de que já conhecemos tudo -, e saber que nós também temos muito pra aprender e absorver dos nossos clientes, dos nossos amigos, do mundo em que a gente vive, do mundo que a gente nem conhece... Abrir a cabeça, a mente, os olhos, ampliar pensamentos, ampliar campo experiencial, ampliar, ampliar, ampliar... Nunca diminuir. Nunca se limitar.

Eu percebi o valor desse tipo de relacionamento no meu último namoro. Eu percebi o valor desse tipo de relacionamento quando, no meu último dia de estágio, eu dei tchau pra um paciente e ele disse que ia sentir saudade de alguém que tratasse ele como um amigo. E acho que todo mundo merece experimentar o gosto desse tipo de relação pessoa - pessoa.

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Sobre ser processo, sobre evoluir.

"en tiempos donde nadie escucha a nadie, en tiempos donde todos contra todos, en tiempos egístas y mezquinos, en tiempos donde siempre estamos solos... yo ya no pertenezco a ningún istmo, me considero vivo y enterrado. tendré que hacer lo que es y no debido, tendré que hacer el bien y hacer el daño, no olvides que el perdón es lo divino.. y errar a veces suele ser humano." (Fito Paez)


Experimentem ser processos, ao invés de estruturas. Experimentem evoluir, experimentem autoconhecimento. Experimente encarar crises e todos os benefícios que elas trazem, experimentem ser cada dia alguém diferente - mantendo a essência e buscando a melhoria. E lembrem do Cazuza: "sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraiso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não doi."
A graça de ser processo é exatamente essa: morrer todos os dias, todos os instantes, e nascer alguém melhor. Eu, por exemplo, sou meio Raul. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...

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Meu nome é Luiza Estabel e eu escrevo textos conforme as coisas aparecem na minha cabecinha. Se faz sentido, se não faz sentido, são outros quinhentos.

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