29.7.11

Será?

"Atração física não é paixão. 


Uma simples troca de olhares causa arrepios, inquietação, desorienta e atrapalha a concentração... Um abraço, então, wah! Tira do sério, vontade de empurrar e concluir tudo ali mesmo. Na arquibancada do estádio, no chão do shopping, nos cantos da casa e... Na mesa do restaurante também. No carro, com a mão na coxa, mil pensamentos circulam uma cabeça inquieta que habita um corpo excitado e possuído. Excitado por aquela presença, possuído por aquele desejo que parece insaciável. Tesão. Desejo. Libido. É o que acontece, normalmente, quando há atração física. Quando dois corpos possuem, juntos, uma química incomparável. 


Na hora de dormir, não é essa pessoa que virá em mente. Pode ser na hora do banho, na hora de se masturbar, mas não será ela a habitante dos seus pensamentos no momento em que você encosta a cabeça no travesseiro pra descansar cinco minutos, quinze minutos, madrugada a dentro.


A paixão anda de mãos dadas com a admiração, não com o tesão. Nos apaixonamos pela personalidade dos nossos amigos, por exemplo. Nos apaixonamos pela nossa profissão, nos apaixonamos pelo tom de voz, por detalhes mínimos. Nos apaixonamos por algo que construímos com alguém, seja namorado, seja amiga. Nos apaixonamos constantemente e não percebemos. Paixão é assim. Ela vem, piscamos os olhos e ela pode já ter passado. As coisas, as pessoas, pelas quais nos apaixonamos nem sempre poderão nos proporcionar prazer sexual como gostaríamos. 


Atração física não é paixão, então? Não. Mas, quando ocorre de ambas se encontrarem em uma relação ocorre o que eu, particularmente, chamo de explosão. Explosão de vontades, desejo, libido, dúvidas, questionamentos, sentimentos. Caos. E todos nós sabemos que caos não agrada a maioria das pessoas, talvez por isso elas optem por dar nome ao caos.


Paixão acaba sempre sendo o nome escolhido.
Para os mais carentes, amor.


É amor, nós combinamos!


Não, vocês não combinam. Semana que vem a paixão pode ter ido embora e, por mais que haja desejo, pode ser que o prazer seja descoberto em outra fonte. E assim vai.


(...)"


Será?!

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