4.4.12

Acontece que eu me prendo aos detalhes. Me prendo nas lembranças daqueles detalhes. A lembrança não é do corpo ou do rosto, a lembrança são os traços e cada curva que ao se juntar com outros detalhes formava uma expressão facial, corporal. Entre a beleza de uma roupa bem escolhida e a beleza do corpo nú, eu fico com a do corpo nú. Eu fico com a geografia do corpo, o desenho dos olhos desde a pupila até o formato. Guardo o cheiro, o gosto e a textura daquele corpo que por muitas noites se enroscou no meu. Guardo os arrepios provocados no sexo, no olhar, na conversa, na proximidade, a inquietação que surgia (e sempre surgirá) com a presença.

Guardo a paz e a turbulência que só contigo eu senti. E tenho certeza de que eu vou sentir pra sempre. Quero que tu saiba que tu me conquistou com teus defeitos e tuas qualidades, nunca com a tua perfeição. E quero que tu saiba que a saudade que eu sinto é saudade dos detalhes, íntimos e nem tão íntimos, que deram origem à relação mais linda que eu já tive com alguém. Relação de aceitação. Eu podia ser eu mesma, tu podia ser tu mesmo. Relação transparente. Relação que por muito tempo me assustou, mas depois de certo tempo me rendi. Relação onde eu tentei fazer com que tu sentisse uma aceitação incondicional, tu não precisava fazer algo em troca. E esse é o lindo do amor, isso é o que o Fito canta. Dar es dar. Eu não buscava nada e te vi.

 Presa no meu passado, nunca me permiti amar denovo. O amor me machucou, literalmente. Amor deixou de ser amor quando eu vi ele se transformando em possessão. Com 15 anos eu experimentei o amor contrário ao sonho de toda a menina de quinze anos. Aos 17 eu jurei nunca mais acreditar e me entregar pra alguém. E, por incrível que pareça, foi o que eu fiz até os 20. Me envolvi dos 18 aos 20, mas ali experimentei um amor de amizade, de cumplicidade. Quando terminou, não teve a dor de perder o amor, teve o medo de perder um amigo. Por sorte isso não aconteceu. Mas o amor incondicional, o amor que vem de forma natural, o amor puro, simples, sincero, que não exige algo em troca... O amor que eu, como última romântica (segundo uma amiga), sempre acreditei que existia - porém nunca havia experimentado. Esse amor que me refiro é o amor que experimentei contigo.

E é essa a lembrança que irei guardar: aos 21 anos aprendi a amar e a ser amada de forma plena, tranquila. Porque é vendo o sentimento persistir a tormentas que nós percebemos que ele é de fato verdadeiro. Te amo, e tenho certeza que ninguém jamais chegará aos pés do que tu significa pra mim.

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