Desde pequeninha criei o hábito de ir no
Olímpico com meu avô, ele levava a almofadinha dele e o radinho, e nós
assistiamos os jogos que eu não entendia nada da técnica (até porque eu
devia ter uns 3 anos) mas me encantava com a bagunça da torcida. Chegava
dia de jogo, lá no sítio, eu saía cantarolando o hino do Grêmio por
todos os cantos. E assim foi durante muitos anos. Um boneco de gesso
vestindo o uniforme, a bandeira e um
cobertor do tricolor decoraram o quarto dele até o momento em que ele
teve que ir pra clínica. Durante todo o período em que ele esteve
doente, nós assistiamos o jogo do Grêmio e ele ficava muito feliz com o
"jogo dos guri de azul". Passou um tempo, longe de estádio e sem me
envolver muito com coisas que gerassem lembranças, a poeira baixou e
retomei. No entanto, eu não ia mais só na hora do jogo, pra social, com
uma almofadinha e um rádio, e nem ficava curtindo de longe a bagunça da
torcida. Comecei a ir na Geral, a cantar, a pular e a entender a lógica
dos xingamentos quando algo sai errado por acidente/descuido/despreparo.
E é assim até hoje, só intensificou ao longo do tempo.
Tudo isso me ocorreu pelo simples fato de que Domingo vai ser o último
Domingo em que eu vou sair de casa cedo pra ir até a Embaixada, ver
aquele povo reunido pra churrascada e cervejada pré-jogo, e depois
entrar no Monumental cantando. A Arena vai ser um baita estádio, não
tenho dúvidas. Mas confesso que aqui dentro tá rolando uma mistura de
sentimentos... É ansiedade pela Arena, é saudade do Olímpico, é
felicidade pela mudança, é tristeza pela despedida. Eu tenho certeza que
meu avô compartilharia dessa mistureba de sentimentos que eu to
sentindo, e vai ser inevitável assistir um filme na minha cabeça durante
o Grenal.
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver.
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