28.11.12

Adiós, Monumental

Desde pequeninha criei o hábito de ir no Olímpico com meu avô, ele levava a almofadinha dele e o radinho, e nós assistiamos os jogos que eu não entendia nada da técnica (até porque eu devia ter uns 3 anos) mas me encantava com a bagunça da torcida. Chegava dia de jogo, lá no sítio, eu saía cantarolando o hino do Grêmio por todos os cantos. E assim foi durante muitos anos. Um boneco de gesso vestindo o uniforme, a bandeira e um cobertor do tricolor decoraram o quarto dele até o momento em que ele teve que ir pra clínica. Durante todo o período em que ele esteve doente, nós assistiamos o jogo do Grêmio e ele ficava muito feliz com o "jogo dos guri de azul". Passou um tempo, longe de estádio e sem me envolver muito com coisas que gerassem lembranças, a poeira baixou e retomei. No entanto, eu não ia mais só na hora do jogo, pra social, com uma almofadinha e um rádio, e nem ficava curtindo de longe a bagunça da torcida. Comecei a ir na Geral, a cantar, a pular e a entender a lógica dos xingamentos quando algo sai errado por acidente/descuido/despreparo. E é assim até hoje, só intensificou ao longo do tempo.

Tudo isso me ocorreu pelo simples fato de que Domingo vai ser o último Domingo em que eu vou sair de casa cedo pra ir até a Embaixada, ver aquele povo reunido pra churrascada e cervejada pré-jogo, e depois entrar no Monumental cantando. A Arena vai ser um baita estádio, não tenho dúvidas. Mas confesso que aqui dentro tá rolando uma mistura de sentimentos... É ansiedade pela Arena, é saudade do Olímpico, é felicidade pela mudança, é tristeza pela despedida. Eu tenho certeza que meu avô compartilharia dessa mistureba de sentimentos que eu to sentindo, e vai ser inevitável assistir um filme na minha cabeça durante o Grenal.
 
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver.

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