Os extremos sempre serviram de inspiração. A felicidade, a tristeza, a raiva. Um pedaço de papel sempre foi a melhor válvula de escape pros meus sentimentos; não precisa ser muito grande, desde que tenha espaço pra eu vomitar meus pensamentos, minhas idéias. A primeira gaveta da cômoda ao lado da minha cama transborda papéis. Bilhetes trocados em sala de aula, cartas iniciadas, rascunho de textos, cartas nunca entregues, trechos de músicas em folhas de caderno, autobiografias... No computador, inúmeros arquivos com reflexões, idéias, opiniões, pensamentos, sentimentos e questionamentos que talvez nunca sejam vistos por outra pessoa.
Os sentimentos ficam mais bonitos no papel. Me sinto fora de moda por ainda ser fã dos cartões, das cartas e até mesmo das escritas em cantos de folhas do cadernos. Gosto da sensação ao imaginar a pessoa falando enquanto eu leio, gosto de poder fechar os olhos e imaginar as expressões faciais. Gosto daquele romantismo que hoje é considerado brega e ultrapassado – bem-vindo ao mundo da superficialidade.
Esse mundo que já não possui romantismo, poesias, amores sinceros e coragem pra se arriscar... Esse mundo em que vivemos não é suportável para os que ainda esperam uma história de amor com desfecho digno de filme. E eu me sinto desconfortável, triste quando penso nisso. Talvez por isso eu tenha escrito esse texto, por me encontrar em um dos extremos.
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